O conflito e a gestão das emoções

O conflito e a gestão das emoções

Menos “mimimi” e mais auto responsabilidade

Você já se deu conta de que grande parte dos seus conflitos internos e externos são gerados pela má gestão das emoções?

É isso mesmo!

Como mediadora de conflitos, não é difícil constatar pessoas fazendo mau uso das emoções, gastando energia desnecessária e dificultando a resolução do conflito.

Dissoluções societárias ocorrem quando as mentes dos sócios entram em colapso; casais implodem o relacionamento quando suas mentes engessam; disputas patrimoniais grotescas ocorrem por falta de empatia; vizinhos criam empasses por estarem com os ânimos exaltados, e por aí vai.

Tudo isso decorre de emoções descontroladas.

Apesar de nossas emoções sempre estarem ligadas ao comportamento do outro – como uma espécie de causa e efeito – a verdade é que esse outro não tem responsabilidade pelo descontrole de nossas emoções.

Se você pudesse apagar da sua memória alguém que te feriu ou se pudesse apagar totalmente da sua vida a pessoa que te trouxe frustrações e traumas, o faria? Muito provavelmente sua resposta foi “sim”! (a minha também!)

Lutamos para deletar de nossas memória os “arquivos” que nos causam dor, as frustrações, as pessoas que nos decepcionam, nossas fobias, impulsividade e culpa, sem saber que isso é tarefa simplesmente impossível.

De acordo com o renomado escritor e psiquiatra Augusto Cury, a única forma de apagar efetivamente tais memórias seria através de injúria física ou de processos mecânicos, como um tumor cerebral, trauma craniano, etc.

Mas suponhamos que não fosse preciso danificar o seu cérebro para conseguir esse resultado. Você gostaria de ter o superpoder de deletar as memórias ruins?

Pois sabe o que aconteceria no processo? Você apagaria os trilhões de dados que cercam sua capacidade de escolha, seu senso crítico. Tudo está tão conectado que você apagaria sua identidade, suas experiências. Você seria como um bebê no corpo de um adulto. Em resumo, tentando apagar o outro, você apagaria você.

É, também acho melhor não termos esse superpoder!

Nos conflitos que acompanho de perto (seja como mediadora ou como advogada), o que mais vejo nas sessões e reuniões são pessoas com potencial incrível, mas feridas, traumatizadas, decepcionadas, jogando sempre a culpa no outro.

As pessoas que escolhem “pagar com a mesma moeda” não se dão conta de que apenas mantém o ciclo do ódio ativo, que enaltecem o que lhes prejudica e deveria ser combatido.

Já ouviu dizer que por trás de quem fere, sempre há alguém ferido? É isso. Saia da órbita dessas pessoas e faça sua própria trajetória. Não seja mais um. Quebre o ciclo.

Assuma que você também não é perfeito. Entenda sua condição de humano, portanto, falho. Por mais honesto, correto, justo e humilde que você se perceba, uma hora ou outra você vai errar.

A necessidade neurótica de ser perfeito ou de querer que o outro também seja, aumenta a ansiedade e mente ansiosa tende a não gerir bem as emoções, tem baixo limiar para frustrações e pouca resiliência.

Fato é que conflitos nos permite evoluir.

Não tente deletar as experiências ruins ou as pessoas que lhe frustraram. Evolua com a experiência. Cresça e expanda seus limites.

Não existem atalhos ou fórmulas mágicas para gerir emoções. A gestão eficiente das emoções depende de um trabalho incansável e rotineiro, utilizando-se de ferramentas que, se aplicadas na totalidade, lhe trarão um avanço espetacular.

Caso queira se aprofundar no assunto, o livro “Gestão da Emoção” do Augusto Cury será de grande ajuda.

Avante!

Débora Brito Silva

Advogada e mediadora extrajudicial, especialista em Direito Imobiliário. Sócia da Advocacia Brito, Rodrigues e Florindo.

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